<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629</id><updated>2011-12-16T12:35:18.427-08:00</updated><category term='Ainda indefinido'/><title type='text'>CIDADE DE ESPELHOS</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-6119369326077717811</id><published>2011-12-16T12:35:00.001-08:00</published><updated>2011-12-16T12:35:18.434-08:00</updated><title type='text'>Carta para você</title><content type='html'>Eu não sei  bem porque resolvi passar minha última hora de vida  escrevendo isso. Bom, na verdade eu sei. A vantagem de lhe escrever uma  carta que você jamais vai receber é que ela me permite um nível de  franqueza que nunca pudemos ter um com o outro. É, certo, você não tinha  muito problema com isso quando dizia que eu era egoísta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, parando para pensar, é até engraçado constatar que o mundo está  literalmente acabando lá fora, enquanto aqui dentro do quarto é como se  tudo estivesse a mesma coisa. Vai ver o mundo sempre esteve acabando e  nós é que não percebíamos isso. Ou vai ver que o fim do mundo não é lá  grande coisa assim. Mas, de verdade, eu não ligo muito para esse mundo  mesmo. Não agora. Para não dizer que fugi da proposta de franqueza, essa  história serviu pra uma coisa importante: pensar de novo em você. Tenho  que admitir, eu estou realmente confuso quanto a isso. Essa coisa de  repensar minhas atitudes não é algo que eu costume fazer. Sempre me  achei um cara muito seguro. Obviamente você via isso como ignorância e,  obviamente, não fazia questão de esconder sua opinião. Seja qual for o  nome disso, sinto que estou diferente agora. Com toda essa cena  desenhada, gostaria de dizer que é por pensar em você, mas, FRANCAMENTE,  eu não tenho certeza. Talvez seja só o mundo acabando mesmo. Quem se  importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que queria dizer algo com isso, com essa carta. Coisas boas ou  ruins, não importa. Coisas significativas apenas. Mas eu simplesmente  não consigo. Só me ocorrem trivialidades quando penso na gente. Mas  então, porque diabos eu só consigo pensar na gente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei para pensar um pouco e me ocorreu um clichê desastroso. “As  pequenas coisas são as que realmente importam na vida”. Sei, é horrível.  O fim do mundo a menos de trinta minutos e nada épico me vem à mente.  Queria, ao menos, morrer como alguém que disse algo realmente relevante.  Mesmo que ninguém soubesse. Como você disse da última vez que nos  vimos: além de egoísta, sou um idiota vaidoso. Que seja. Mas, sobre as  pequena coisas, talvez sejam mesmo importantes pelo aspecto  quantitativo. Sabe, você pode ter uma ou duas aventuras marcantes, mas,  no fim, quem te define mesmo é o cotidiano. E ele é feito de pequenas  coisas. Pensando na gente, sem aventuras nem experiências radicais, só  consigo me lembrar de algo como um período, um tempo. Um tempo bom que  terminou seja lá por que. Mas isso também não importa. Faltam 15 minutos  e agora eu vejo como é difícil esse negócio de escrever sem roteiro.  Quase uma hora e só me ocorrem poucas palavras triviais. Ao menos  conclui que a trivialidade tem seu valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você pensaria disso tudo? Estou me perguntando isso agora e  percebo que nunca te perguntei isso antes. Provavelmente você tinha  razão em dizer que eu era um idiota. Provavelmente ainda sou. Entretanto  não vou me desculpar. Não agora, quando estou tão perto de dizer uma  coisa que nunca te disse, por ser... bom, um idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois do parágrafo anterior e estou aqui tomando coragem  para te dizer isso. Mesmo sabendo que você não vai ler. Mesmo sabendo  que isso é apenas um... eu não sei o que isso é. O tempo está acabando e  as pessoas já fazem contagem regressiva na rua. Seja lá o que nos  espera, queria dizer, ao menos dessa vez, que foi bom conversar contigo.  Foi bom estar com você. Eu te a&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-6119369326077717811?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/6119369326077717811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=6119369326077717811&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6119369326077717811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6119369326077717811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2011/12/carta-para-voce.html' title='Carta para você'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-6894868811279777866</id><published>2011-11-19T11:48:00.000-08:00</published><updated>2011-11-19T11:48:18.264-08:00</updated><title type='text'>Outro do lado contrário</title><content type='html'>&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ficou parado diante do espelho. Navalha na mão, creme de barbear sobre a pia. A água corria pela torneira, monótona e hipnotizante.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ergueu o braço, com o rosto já lavado. Pôs a lâmina na garganta. Parou e observou que no espelho, ao contrário dele, seu Outro era canhoto. Sorriu e parou o movimento de corte antes que ele começasse. Seu Outro o seguiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;O que havia de errado, então? Poderiam mesmo as coisas do lado de cá serem tão inversas assim? A dor pode ser o seu oposto e tornar-se prazer? Sofrimento dilacerante pode ser satisfação calada? O espelho é uma porta para o mundo do inverso e, talvez, lá as coisas sejam melhores. Pode o choro ser riso, do outro lado do espelho?&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Foi quando fez um pequeno corte sob o olho direito, e uma lágrima de sangue desceu pelo rosto. Embora sentisse dor, teve a impressão de que seu Outro estava sorrindo com o canto esquerdo da boca.  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-6894868811279777866?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/6894868811279777866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=6894868811279777866&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6894868811279777866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6894868811279777866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2011/11/outro-do-lado-contrario.html' title='Outro do lado contrário'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-8418543789308308138</id><published>2010-09-29T14:33:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T14:33:10.216-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TKOvfdMi1YI/AAAAAAAAADY/mVB1TmXhC-4/s1600/Sem+Rosto.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="285" src="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TKOvfdMi1YI/AAAAAAAAADY/mVB1TmXhC-4/s320/Sem+Rosto.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei bem o que é isso. Sem querer fazer aquela historinha de "estou postando qualquer coisa", eu realmente não sei o que é isso. Ontem, antes de dormir (e ter um sonho bizarro), me veio essa imagem na cabeça (que não tem nada a ver com o sonho, mas está no mesmo clima de estranheza). Na verdade era ser mais sinistra e não ficou de acordo com o pensamento, mas serve. No fim acabei gostando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-8418543789308308138?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/8418543789308308138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=8418543789308308138&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/8418543789308308138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/8418543789308308138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/09/eu-nao-sei-bem-o-que-e-isso.html' title=''/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TKOvfdMi1YI/AAAAAAAAADY/mVB1TmXhC-4/s72-c/Sem+Rosto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-4141747289372586363</id><published>2010-09-22T15:25:00.000-07:00</published><updated>2010-09-22T15:25:03.793-07:00</updated><title type='text'>Uma fábula política</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Era um vez um povo que vivia numa terra boa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ambos, o povo e a terra, eram grandes. O povo, por ser grande, tinha uma enorme diversidade e a terra, por sua vez, era muito extensa e, por isso, abarcava os mais diversos climas. Era possível que em um extremo da terra o sol estivesse quente e forte, enquanto no outro, o frio caisse pesado e duro. Consequentemente, era uma terra potencialmente rica, com plantações das mais variadas, gado e minérios.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Toda essa riqueza pertencia a esse povo que lá vivia e cada um cuidava de seus próprios negócios. Se chovia e a colheita fosse boa, ótimo; se não, paciência. Como é característico, de todos os povos procurar razão para as coisas, eles começaram a pensar qual seria a razão de um dia chover e no outro não. Do gado ficar doente no seu campo e não no do vizinho. Foi quando surgiram essas perguntas que os deuses inauguraram sua chegada nessas terras. Estranhamente, hoje o povo pensar que eles sempre estiveram por aqui, embora saibam que em algum momento no passado as coisas fossem diferentes. De qualquer maneira os deuses vieram e falaram:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Temos o poder sobre o céu e a terra. Podemos ajudar vocês caso rezem por nós. E quanto mais rezarem, mais poderemos ajudar.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O pessoal ficou maluco, claro. Finalmente acharam uma forma de fazer as coisas terem algum sentido. Alguns até ficaram satisfeitos e aliviados por não precisarem lidar com a situação eles mesmos e contentavam-se em pagar o trabalho com rezas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Assim as coisas foram se ajustando. As pessoas trabalhavam na terra, cuidavam de suas vidas enquanto os deuses diziam como as coisas seriam. Quando alguém queria algo mais específico, como por exemplo mais carne na mesa ou uma casa nova, rezava para um dos deuses e pedia por isso. De acordo com sua proximidade com o deus em questão, a pessoa era atendida ou não. Mas uma coisa era certa: as rezas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Com o passar do tempo, e antes que o próprio povo desse conta, os deuses começaram as trazer leis e regras sobre como ele deveria agir, e começaram a governar não só a terra, mas a vida das pessoas. Alguns, mais espertos, notaram que, na verdade, ao controlar a terra, os deuses já controlavam as vidas de quem dela dependia. Mas esses ficaram quietos e escutaram  resto da história.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O povo então coçou a cabeça e perguntou a eles:  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Por que essas leis? Agora vocês querem mandar na gente?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os deuses, em uníssono responderam:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Não é bem assim. Entendam que, para que o povo funcione de forma coesa e seja forte, precisa de leis. Regras que façam todos iguais. Eis a democracia. Para vocês terem uma idéia, até nós, deuses, nos sujeitamos a essas regras! Vejam como elas são importantes!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O povo parou, pensou. E como não entendeu muito bem, deixou de lado, pois até que a resposta talvez fizesse sentido. Se os próprios deuses se sujeitariam a isso, mau não podia fazer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Algum tempo depois, após ouvirem umas certas histórias a respeito das brigas entre os deuses (provavelmente coisa de ego: quem ganhava mais rezas ou quem concedia mais desejos ao povo),  mesmo sem saber muito bem o que se passava, o povo foi até eles novamente e perguntou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Vem cá. Com essas histórias todas a respeito de vocês, o que andam fazendo.... não sei não... Além disso, rezamos pra caramba e muitas vezes vocês não cumprem o que prometeram.  E Também nenhum deus está sendo punido como nós, o povo aqui da terra, quando infrigimos as tais  leis que vocês trouxeram? Muito estranho isso...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Então os deuses confabularam entre si e responderam juntos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Bem, é que, como nós fazemos coisas muito importantes, precisamos que vocês rezem muito por nós. Porque são coisas realmente muito importantes. Tão importantes que nem explicaremos como funcionam, pois vocês não entenderiam. Sobre as punições, bem... é que dentre essas coisas secretas e muito importantes, há um monte de coisas sujas e feias. Algo como demônios que precisamos combater, entende? E para isso acabamos expostos a eles e suas sujeiras. Eventualmente nos contaminamos. Por estarmos submetidos a isso, precisamos de mais rezas ainda, para sermos fortes e resistirmos a eles. E, se acontecer de algum irmão cair em suas garras, ele não deveria ser punido por tombar em batalha, certo? Afinal, ele se sacrificou em nome do povo.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O pessoal se entreolhou de novo e  cochicharam. Coçaram a cabeça novamente e foram embora, dessa vez sem entender patavinas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O tempo, claro, continuou passando e mais noticias chegaram aos ouvidos do povo a respeito das peripécias dos deuses para quem andavam rezando. Eram tantas que um belo dia alguém disse: “como os deuses têm tempo de fazer o que se propuseram, ou seja, organizar nossas terras, se estão o tempo todo brigando entre si, com esses tais demônios ou usufruindo de nossas rezas?”. O povo então disse “ih, é mesmo!” e foi até lá perguntar para eles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Deidades, explica aqui um negócio. Como é que vocês administram a terra enquanto um está preocupado em ouvir rezas, o outro ausente pra caçar demônos, o outro brigando com o irmão? Pelo que andamos vendo por ai, a terra anda uma verdadeira bagunça”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Dessa vez, diferente das anteriores foi uma algazarra. Dedos apontados, papiros escandalosos, sangue e preces por todos os lados. Os deuses falavam todos juntos, mas dessa vez falavam coisas diferentes. Eles então fecharam as portas pro povo não ver o papelão. O povo esperou um bom tempo antes de bater na porta novamente. Ninguém respondeu. Bateu novamente, com mais vigor. Nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ai começou uma bagunça generalizada, todo mundo batendo nas portas e gritando pelos deuses, exigindo uma explicação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A porta, então, se abriu. E os deuses surgiram com ar aborrecido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“E  então, o que me dizem sobre isso, excelentíssmios? Qual a razão dessa zona toda?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Um deles deu um passo à frente e disse com ar despreocupado:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Não há zona alguma”  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Como não?”, disse o povo. “Está na cara de todos que quiserem ver!”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O Deus então deu outro passo à frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“E o que vocês, povo burro e fraco, podem fazer contra nós, deuses, que controlamos toda a terra?”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ai o povo parou, coçou a cabeça, pensou. Ai deu de ombros e foi-se embora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-4141747289372586363?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/4141747289372586363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=4141747289372586363&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/4141747289372586363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/4141747289372586363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/09/uma-fabula-politica.html' title='Uma fábula política'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-4881514056397464458</id><published>2010-09-14T09:27:00.000-07:00</published><updated>2010-09-14T09:27:50.635-07:00</updated><title type='text'>Já que agora eu só faço isso mesmo...</title><content type='html'>Sei que isso deve estar cansativo. Mas eu gosto desse desenho e eu prometo ser o último post dessa bateria.&lt;br /&gt;Bom, como isso é sobre desenhos e não textos, sem mais delongas, lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TI-iXAsrhbI/AAAAAAAAADQ/AQyGwHl9ueA/s1600/Bonfim+1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TI-iXAsrhbI/AAAAAAAAADQ/AQyGwHl9ueA/s320/Bonfim+1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-4881514056397464458?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/4881514056397464458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=4881514056397464458&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/4881514056397464458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/4881514056397464458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/09/ja-que-agora-eu-so-faco-isso-mesmo.html' title='Já que agora eu só faço isso mesmo...'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TI-iXAsrhbI/AAAAAAAAADQ/AQyGwHl9ueA/s72-c/Bonfim+1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-8783221008306434971</id><published>2010-09-09T13:10:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T13:10:47.131-07:00</updated><title type='text'>Arte em Paint... ou algo parecido.</title><content type='html'>Eu ando com essa mania. Agora eu fico desocupado e começo a rabiscar no Paint, como vocês podem ter entendido no post anterior. E como ando sem textos para esse blog, lá vai mais desenhos pelas gargantas de vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um trabalho que me deixou em dúvida. Sempre parecia faltar coisas, então eu fiz duas versões preenchendo com idéias diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;O original:&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-jZy4d6I/AAAAAAAAAC4/tm5gH57N_kQ/s1600/Entardecer.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-jZy4d6I/AAAAAAAAAC4/tm5gH57N_kQ/s320/Entardecer.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A primeira idéia:&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-z6AKIAI/AAAAAAAAADA/BvY8Lk-E63k/s1600/Entardecer+1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-z6AKIAI/AAAAAAAAADA/BvY8Lk-E63k/s320/Entardecer+1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;A segunda idéia:&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-7lbpuaI/AAAAAAAAADI/DiXlHjMt5Tg/s1600/Entardecer+2.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-7lbpuaI/AAAAAAAAADI/DiXlHjMt5Tg/s320/Entardecer+2.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Alguma preferência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-8783221008306434971?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/8783221008306434971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=8783221008306434971&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/8783221008306434971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/8783221008306434971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/09/arte-em-paint-ou-algo-parecido.html' title='Arte em Paint... ou algo parecido.'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TIk-jZy4d6I/AAAAAAAAAC4/tm5gH57N_kQ/s72-c/Entardecer.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-1799597106272220988</id><published>2010-09-02T07:05:00.000-07:00</published><updated>2010-09-02T07:06:43.940-07:00</updated><title type='text'>Eu sou artista!</title><content type='html'>Então, ai eu decidi deixar de lado meu egoísmo e compartilhar com vocês um desenho que fiz. É significativo porque fiz no paint (porque eu não tenho idéia de como colocar meus desenhos em papel no computador). Honestamente, gostei muito do resultado, sobretudo se for considerar a ferramenta.&lt;br /&gt;Esse é o primeiro de vários, por isso, o mais querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TH-rcjbQDiI/AAAAAAAAACo/4m3KnRlHH1U/s1600/Desafio.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TH-rcjbQDiI/AAAAAAAAACo/4m3KnRlHH1U/s400/Desafio.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;Então, é isso. Digam o que acharam. E sejam gentis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-1799597106272220988?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/1799597106272220988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=1799597106272220988&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/1799597106272220988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/1799597106272220988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/09/eu-sou-artista.html' title='Eu sou artista!'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_jVa9ELxzYZc/TH-rcjbQDiI/AAAAAAAAACo/4m3KnRlHH1U/s72-c/Desafio.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-5456018518464214261</id><published>2010-08-14T12:25:00.001-07:00</published><updated>2010-08-14T12:25:25.909-07:00</updated><title type='text'>Laranja Mecânica e aquela kal toda.</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCaiocaio%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCaiocaio%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CCaiocaio%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:1;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-format:other;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	line-height:115%;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:Calibri;	mso-fareast-theme-font:minor-latin;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;	mso-fareast-language:EN-US;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;	line-height:115%;}@page WordSection1	{size:595.3pt 841.9pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:35.4pt;	mso-footer-margin:35.4pt;	mso-paper-source:0;}div.WordSection1	{page:WordSection1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Eu sei que enrolei um bocado pra escrever esse post. Acho que é porque esse livro me pareceu um pouco difícil, pela quantidade de coisas que pense a respeito dele e fiquei meio enrolado pra colocar isso em papel. Essa é a segunda tentativa, portanto, vamos lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;De forma cronológica, a primeira impressão foi marcada no prefácio, escrito pelo tradutor. Muito interessante, por sinal, fala a respeito da relevância de Anthony Burgess no estilo literário e o coloca junto a Geroge Orwell e Aldous Huxlei, com 1984 e Admirável Mundo Novo. Fui me envolvendo com a comparação e fiz minhas próprias viagens (e depois vi que estava redondamente enganado). De certa forma, esses livros são caricaturas, exageros de modos de governo e então achei que... não, não... isso está muito chato. Vamos só dizer que Laranja Mecânica parecia ser um ode à Anarquia, mas na verdade não é nada disso. Muito mais retrava a visão de um sujeito muito, mas muito desmedido, que é o tal de Alex. Aliás o Alex é um moleque sinistro, que consegue fazer com que você sinta pena dele mesmo enquanto estupra moças e chuta velhinhos. Ele tem um quê de infantil e ai entra outro lance interessante do livro. Para quem viu o filme (filmão!) do Kubrick, vocês podem não saber, mas o Alex do livro tem apenas 15 anos. E já é o cão chupando manga, vejam vocês. Realmente é fruto de um mundo muito fodido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Um outro aspecto referente à juventude do rapaz é o nadsat. Isso é o nome do dialeto, por assim dizer, da molecada, ou melhor dizendo, da pivetada. É um monte de palavras bizarras, que nascem da junção /distorção de inglês e russo e correspondem aos nossos “fodeu, tá ligado, perdeu playboy” e coisas do tipo. Ma, na real, o nadsat é muito mais maneiro. Eu até o adotaria, se não fosse o fato de ninguém entender e isso ser de um pedantismo absurdo. Bom, talvez mais tarde. Ler Laranja Mecânica me fez lembrar do querido Lacan. Podem rir, mas sabe quando você lê um texto e não entende 60% do que ficou pra trás, mas mesmo assim segue adiante? Então, é uma experiência semelhante. Ao menos se você suportar não consulta o glossário que está malandramente complementando as páginas finais do livro. Nadsat é foda!&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como isso não é uma resenha e sim um post (meio feito a contragosto, admito), só vou sublinhar outro ponto interessante, no fim do livro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;ALERTA DE SPOILER&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para quem viu o filme, o livro parece como que tendo um capítulo extra. Trata-se de um desfecho que dá um tom muito mais light a tudo que acontece – e por isso foi limado do filme – de maneira que realmente tudo fica com cara de uma fase adolescente, algo normal, que veio e depois passo. Bom, talvez até seja isso mesmo tendo em vista toda cultura fictícia (mas nem tanto) do livro, a postura do Estado, da polícia, da política de oposição, a juventude representada por Alex é até esperada. &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-5456018518464214261?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/5456018518464214261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=5456018518464214261&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5456018518464214261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5456018518464214261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/08/laranja-mecanica-e-aquela-kal-toda.html' title='Laranja Mecânica e aquela kal toda.'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-7851815714110989671</id><published>2010-07-28T11:47:00.001-07:00</published><updated>2010-07-28T13:41:03.377-07:00</updated><title type='text'>Em nome da produtividade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esses dias (muitos dele) de letargia me têm feito mal (ou seria mau? Eu nunca sei a diferença direito e preciso pesquisar toda hora a grafia correta para minhas intenções, então em nome da malandragem direi que me faz mal – ou mau – nos dois sentidos, das duas grafias). Ficar parado me faz consumir muita coisa, mas infelizmente me tem deixado muito pouco produtivo no que diz respeito à emissão de conteúdo ( embora sua fabricação seja feita em escala industrial pois minha cabeça não para de criar coisas. Algumas delas até prestam, inclusive). Seja como for, acredito que a segunda coisa... não, a terceira... mais emblemática para mudar esse curso é uma nova postagem em blog. Pensando bem agora isso soa um pouco ridículo, mas vamos seguir com o plano. Disse o coringa, não com essas palavras mas enfim “pode dar a merda que for, desde que esteja de acordo com o plano”. Então o plano é esse. Fazer um post. No caso resolvi fazer um post sobre o que venho consumindo vorazmente e, se possível for, emitir uma ou outra opinião a  respeito. Vamos à lista, pois bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Livros: realmente, livros me fazem bem. Honestamente ler livros, para além de toda idiotice de me enganar pagando de intelectual, é algo realmente prazeroso para mim. Qualquer livro, embora uns sejam mais interessantes do que outros. O ato de ler combina comigo. A introspecção, a apreensão e apreciação de uma história ou ampliação da minha cultura, útil ou não, é um grande tesouro para mim. Agora estou no terceiro quarto de um que não se trata realmente de uma grande surpresa, mas traz muitos valores no pacote. Trata-se dA Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr. Esse autor eu conheci através do Nerdcast, podcast que acompanho semanalmente e que realmente recomendo (ver um possível post seguinte). O livro em si não me surpreende porque Eduardo é um cara de escrita correta. Acho que digo “correta” no que posso conceber como sentido mais pleno da palavra, pois não é algo que afere exaltação nem depreciação. Mas comecemos pelos aspecto não tão legal (para mim), pois quero dar destaque aos seus muito méritos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente, Eduardo Spohr tem algo que como uma perspectiva correta demais sobre as coisas. Como dizer isso... seus personagens falam de forma muito semelhante. Não em conceitos, mas em execução. Ablon, seu protagonista, um anjo de 15000 anos, fala e pensa como um grego de 30 anos, que fala como seu pai, de 50. Eu gostaria de mais tridimensionalidade nesse sentido. Gostaria de ver um cara de 15000 anos preocupado com outras coisas, ou melhor ainda, com uma outra postura a respeito do mundo e dos eventos, diferente de um sujeito de 50 anos. Bom, eu gostaria de ver um personagem falando gírias, talvez até com português ruim. Sabe aquele papo de que quando se é velho a perspectiva diante da vida é outra? Imagino isso mil vezes multiplicado. Ou então quando se tem uma vida de merda e as percepção das coisas, os valores e afins são diferentes? O dia que escrever meu livro terei isso em mente (ra ra ra). Mas não condeno completamente o autor por isso. Tem algo nas suas referências que caminha por aí, sobretudo no que diz respeito ao maniqueísmo dessa história em particular. E é esse maniqueiísmo que orienta A Batalha do Apocalipse. Tolken e muitas das histórias (animes em geral, alguns quadrinhos e etc) que tanto eu quanto o autor gostamos, trazem essa perspectiva preto-no-branco, mas, hoje eu prefiro contos com escalas de cinza. Acredito ser esse um dos grandes valores de uma literatura adulta. Talvez seja isso. A Batalha do Apocalipse, embora seja um ótimo livro, talvez não seja um livro tão adulto e sim um livro mais adolescente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, como eu ia dizendo, Eduardo Spohr escreve bem. Tem um vocabulário que eu espero encontrar em outros autores cascudos, como Bernard Cornwell ou Tolken. Spohr é um cara que, como eu, é apaixonado por literatura fantástica, influenciado por RPG, quadrinhos, filmes e etc. É um cara moderno e, eu arrisco dizer, um ótimo exemplo de nerd. Isso é um puta, mérito, ao meu ver. Mais do que isso, é um cara que, com essas referências, sentou a bunda e fez acontecer o que eu acho de mais fabuloso para pessoas como eu: escreveu um livro sobre isso. E tornou-se um autor nacional comercial. Comercial no bom sentido da palavra. Um autor cujo livro uma editora – e depois outra, vejam só! - olhou e disse “cara, as pessoas vão comprar sua história!”. E realmente compraram. No meu caso, especificamente, além da história ter um plot que me agrada, todo esse background do autor foi provocador do meu interesse. Certa vez tentei ler um outro autor nacional, André Vianco, mas apesar de gostar da temática Vampiro, eu não achei interessante a sua forma de tratar o assunto. Fiquei positivamente surpreso com a forma de Vianco trazer o pano de fundo para o Brasil (quase que uma “obrigação” de qualquer autor nacional ao contar uma história de ficção contemporânea, na minha opinião), mas eu sou realmente chato quando se trata de vampiros. Talvez seja o público cativo que tais contos atraem, talvez seja o engessamento atual do personagem Vampiro. Ou sua super-exploração. Na verdade,  a última caracterização interessante que eu li foi o vampiro Cassidy, no quadrinho Preacher, de Garth Ennis. Seja como for, a temática de Spohr me soou mais interessante e por isso comprei seu livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na verdade, na época que comprei, ele era distribuído pela Nerdbooks e estava prestes a ser lançado por outra editora, mais barato. Porém, em um mundo onde se consome tanto e muitas vezes de graça, acho que alguns valores devem ser agregados ao que escolhemos consumir. Esse livro no caso, agrega o valor do autor, como disse antes, a sua disposição de correr atrás e fazer seu livro ser publicado em qualidade que não deixa a desejar a nenhuma outra obra de grande porte, além da Nerdbooks em si, que pertence ao site&amp;nbsp; &lt;a href="http://jovemnerd.ig.com.br/"&gt;Jovem Nerd&lt;/a&gt;. Ora bolas, eu consumo o conteúdo desses caras de graça (claro, eles não fazem isso de graça, mas isso é outro papo) e achei, então, interessante comprar o livro nessas ircunstâncias. Ontem, inclusive, vi o livro uns 15 reais mais barato (talvez esse fosse quase o valor do frete, caso comprasse a esse preço), mas sinceramente estou muito feliz com minha decisão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, claro, a história do livro. Bom, não vou falar sobre a história do livro. Fica o link pro&amp;nbsp;&lt;a href="http://jovemnerd.ig.com.br/nerdcast/nerdcast-80-a-batalha-do-apocalipse/"&gt;Nerdcast&lt;/a&gt; onde um episódio inteiro foi dedicado a falar – e fazer propaganda, porque não? - a seu respeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso ficou mair do que eu esperava, então vou ficar por aqui. Próximo post (que será publicado assim que eu atingir os 3 comentários de praxe), Laranja Mecânica (apenas papo furado, pois ainda não li o livro).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-7851815714110989671?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/7851815714110989671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=7851815714110989671&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/7851815714110989671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/7851815714110989671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/07/em-nome-da-produtividade.html' title='Em nome da produtividade'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-8083025475781855726</id><published>2010-06-30T17:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-30T17:38:27.174-07:00</updated><title type='text'>Onde diabos se enfia a ética?</title><content type='html'>Lendo hoje, um pouco atrasado, devo confessar, a edição dessa semana da Veja, vi um artigo interessante chamado “Aula de ética é em casa, não na escola”, de Gustavo Ioschpe. Falava a respeito da inutilidade do ensino de ética como conteúdo prático nas escolas (e faz uma ressalva dizendo que isso deve estar presente em ações, que eu entendi como extra-curriculares, por assim dizer). Fiquei um pouco incomodado. Observando, então, meu direito à liberdade de expressão resolvi compartilhar com meus três leitores o que isso me suscitou. &lt;br /&gt;Primeiramente, acho que há um problema nessa questão de lugar onde ensinar seja lá o que for. Segundo o autor, há um equívoco na conduta de nosso educadores e do MEC no que diz respeito ao lugar onde esses tais valores devem ser colocados para os alunos. Ele defende que tais colocações éticas devem ser incumbidas aos pais desses alunos, em casa, de maneira que o tempo na escola seja melhor utilizado, dando ênfase nas disciplinas que, na falta de termo melhor, e com um quê de deboche, vou chamar de produtivas. Realmente eu não consigo ver essa dissociação. Embora seja óbvio que existam diferenças entre o espaço-escola e o espaço-casa, entendo o sujeito que entre eles transita como alguém que invariavelmente mistura esses espaços, exercendo-se como aprendeu (aprendizado esse que fez sozinho com o que lhe apresenta o mundo, diga-se e passagem, pois isso está além do controle total de qualquer um). É de comum acordo, creio que a criança ou adolescente, ou adulto, não é capaz de entrar no modo-escola, modo-casa, modo-trabalho, ou seja lá que imperativos operacionais ele pudesse dispor para estar nesse ou aquele lugar. Veja bem, não nos faltam casos de pessoas que se aborrecem em um desses locaise levam consigo esse aborrecimento para o outro. Como poderia ser diferente? Não é opcional, é operacional, por mais que tentemos nos portar de acordo com o lugar onde estamos (porque também é notável as inúmeras coisas que buscamos fazer que se opõem ao que fazemos de fato). Sobre ética, mais especificamente, me ocorre que trata-se realmente não de uma disciplina a ser passada, contando com uma passividade do aluno que realmente não existe. Por outro lado, discordo quando dizem que deve ser dissociada de qualquer outra coisa. O próprio exemplo da cola, dado pelo autor, me sugere que isso permeia qualquer disciplina e qualquer espaço. É algo que nos orienta o comportamento. Não para o certo ou errado, mas simplesmente é como conduzimos as coisas, quer o senhor diretor, pai ou juiz goste ou não. A ética está mais para uma parte do nosso, digamos, sistema operacional, e não para um programa. Taí, se fizermos uma analogia com um computador , poderíamos pensar nas disciplinas que aprendemos, ou não, como programas executáveis específicos. A ética é parte do sistema operacional, que dependendo de como tenha sido escrito, permite determinadas ações e outras não. O Windows me permite fazer uma ação com um duplo-clique, o Linux não. Assim, minha ética não me permite colar em uma prova, diferente do Fulaninho, que cola e passa na escola.&lt;br /&gt;Seja como for, ainda temos a problemática do lugar adequado para se fazer isso e sendo bem objetivo, acredito no seguinte: ilude-se quem imagina que a escola seja um local onde as pessoas vãos para absorver informação. Matérias úteis. Isso me lembra Matrix, onde o Neo aprende um monte de coisas úteis (artes marciais!!!) fazendo download de programas .exe através de um plug na cabeça. Entendo a escola como mais um espaço de desenvolvimento do sujeito, como sua casa, a rua, a cadeia, o Piscinão e Ramos ou a igreja. É um local onde sujeitos se expõem a encontros e esbarrões, e vão buscar material para acrescentar no seu sistema operacional. Esse material pode ser Matemática, Física, roubar o dinheiro do lanche de alguém, surrar o carinha que pega o dinheiro dos outros, ou  convencer esse cara a devolver o dinheiro. Enfim, pode ser muita coisa e honestamente acho um pouco de presunção dizer o que se aprende ou não na escola, uma vez que cada um aprende qualquer coisa que está disposto e lhe seja possível. Essa é a única máxima que consigo ver: sendo a escola um local de encontro entre pessoas, o que emerge daí é imprevisível, portanto não se engessa esse aprendizado. E isso vale tanto para nossas queridas disciplinas produtivas quanto para nossa ética. Sendo assim, acredito fazer muito mais sentido pensarmos como é o nosso sistema de ensino, que metas ele tem e como busca essas metas. Particularmente acredito que existam muitos problemas no nosso sistema e os mais importantes ainda estão meio escondidos. Pergunto se a escola tem realmente que ser um lugar onde aprendemos a fazer equações matemáticas bizarras e deixamos, com isso, de vivenciar a importância de ler um jornal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-8083025475781855726?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/8083025475781855726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=8083025475781855726&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/8083025475781855726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/8083025475781855726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/06/onde-diabos-se-enfia-etica.html' title='Onde diabos se enfia a ética?'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-5232372199668548486</id><published>2010-05-17T15:10:00.000-07:00</published><updated>2010-06-14T08:36:20.138-07:00</updated><title type='text'>Canhoto e destro.</title><content type='html'>Então, um dos irmãos Wachowsky é transsexual sabiam? Aliás, vocês sabem quem são eles? Se a resposta é não, eu digo: são os dois responsáveis por Matrix (acho que foram roteiristas e diretores, mas como eu não tenho certeza, deixa na abrangência). Claro isso não é noticia, tem tempo pra cacete e não é sobre isso exatamente que quero falar. O lance é que eles vão lançar um novo filme agora e que, eu li por aí, terá muitas coisas. Viagem no tempo, tiroteio -pois é um filme de guerra... ou não – e também o romance homossexual entre dois soldados. Blá blá blá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foco. Foda-se o filme. É que ao ler a noticia sobre esse filme, fui bisbilhotar os comentários do site e o povo começa a falar sobre homossexualidade. Gente até muito educada, suponho, com cuidado ao escolher suas palavras para não ferir os outros, coisa e tal. Parabéns. Mas, eu não sei quanto a vocês, para mim isso é pouco. Digo, é claro que o fato das pessoas medirem suas palavras, seja por medo e, posteriormente, respeito e/ou compaixão com o coleguinha ao lado é um grande avanço, mas só mascara uma forma de pensar que continua existindo. Digo que isso é pouco porque o fim dessa trilha de boa convivência é o sujeito achar o outro pervertido mas ficar calado porque é errado dizer o que pensa. Da mesma forma que eu quero que o criminoso deixe de fazer merda por ter outra opção, ou simplesmente por não querer lesar o outro e não apenas por medo da repreensão. No fim da linha, acredito que o ideal é que o cara veja o semelhante (provocações. hehehe) não como alguém que foge à regra MAS deve ser respeitado e sim que ele entenda que não há regra. Se não há regra, não há transgressão e se não há transgressão não é preciso tolerância. Não existe tolerância com os destros ou canhotos (aliás, uma das poucas coisas que hoje não é historinha – mas antes era...) porque isso não diferencia ninguém. Alguém ser destro ou canhoto quer dizer que a mão hábil é uma e não a outra. Única e exclusivamente isso. Sem preconceito. Pois bem, foco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sujeito foi lá e disse que não tem preconceitos, respeita os outros, aquele papo todo. Mas ele se preocupa com a forma com a qual a TV “expõe os jovens, que são muito mais influenciáveis” a isso – se entendi bem, referindo-se à homossexualidade. Isso me causa estranheza. Quer dizer, a TV expõe a heterossexualidade desde que existe e até então ninguém levantou bandeira. O que me sugere, é que o tema é algo a ser escondido. “Exista, mas contente-se com seu gueto”. Isso é segregação. Pode cobrir de chantili e colocar uma cereja, mas para mim fede do mesmo jeito. Existe outra forma de interpretar isso? A TV, e mais um outro monte de veículos, expõem a homossexualidade como algo que existe, que está aí, ao seu lado. Por que então isso deveria ser “moderado”? Eu viajo nisso e só imagino o carinha dentro da sala vendo televisão e classificando as cenas como 12, 16, 18 anos (afinal, “não é por mim” - disse o rapaz - “a juventude que é influenciável”). Não vai ser o primeiro nem o último a colocar a culpa nos outros por suas fantasias, no sentido psicanalítico da coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-5232372199668548486?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/5232372199668548486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=5232372199668548486&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5232372199668548486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5232372199668548486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/05/canhoto-e-destro.html' title='Canhoto e destro.'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-3222254468340381356</id><published>2010-04-07T11:36:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T11:36:53.574-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ainda indefinido'/><title type='text'>Precisa de internação precisa!</title><content type='html'>Então, com um grande atraso nas “novidades midiáticas” e apesar das atualizações infrequentes, lá vamos nós.&lt;br /&gt;A essa altura do campeonato todo mundo já está careca de saber sobre os fatos do assassinato do cartunista Glauco e seu filho Raoni, certo? Então, todos saber as condições de Cadu, e provavelmente também sabem sobre sua história. Partamos daí.&lt;br /&gt;A razão desse post, contudo não é o evento em si, mas o desencadear que me ocorreu quando li alguns textos e comentários de dois psicanalistas: Contardo Calligaris, que acredito ser colunista da Folha (não sei ao certo pois tive acesso ao seus textos em um blog que não é dele, mas que faz postagens de sua coluna –  www.contardocalligaris.blogspot.com) e Luciano Elia, cujo texto me foi enviado por e-mail por uma amiga. O que emergiu disso tudo foi a questão da internação, que eu acreditava estar bem organizada na minha cabeça, mas agora vejo que, talvez, nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma didática, acho que a gente pode encarar o processo de internação do louco em dois sentidos. O politico e o clínico. No primeiro, teremos a prática higienista no qual a orientação não está acordada com a necessidade do sujeito de alguma interferência institucional por conta de alguma precariedade de inserção na comunidade ou sofrimento em demasia. Nesse sentido, teríamos as internações que servem como depósito de indesejáveis. Pessoas que, por alguma razão, tornam-se complicadores sociais – seja lá qual forem as complicações que trazem. Aí teremos o louco, o mendigo, o ladrão e outras tantas categorias confinadas em um mesmo espaço (físico e social), indiferenciadas, com tratamentos indiferenciados. Veja que daí o que prevalece é a indisponibilidade da sociedade em lidar com esses sujeitos e daí, uma prática que não os acolhe ou trata ou seja lá o que for preciso para cada um. Ela apenas os tira da vista dos “cidadãos de bem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro extremo, temos a internação clínica, e aqui me refiro apenas ao louco e ao sujeito em sofrimento psíquico (e talvez a outros casos peculiares). Seja como for, essencialmente eu digo: cada complicador em seu espaço, ou melhor dizendo, cada complicador com o suporte necessário (é que isso implica muitas vezes – não sei se certa ou erroneamente – em espaços diferentes). Dessa forma, temos a internação como recurso específico para lidar com pacientes específicos em momentos específicos. Sendo mais direto: o louco pode passar por momentos dos mais variados, sujeitos a uma série de circunstâncias. Tais variações, acredito, sugerirão ações diferentes por parte daqueles que o acompanham, utilizando de serviços diferentes para cada ocasião. Em dados momentos uma internação pode fazer-se necessária, como por exemplo quando o paciente se encontra tomado de maneira tal por seus delírios, que desconecta-se completamente do que o cerca, redundando na inoperabilidade da intervenção clínica (do psicólogo, por exemplo). Mas o que é fundamental nessa prática é termos em mente que o que orienta o uso de um dispositivo ou de outro é a função que ele pode exercer sobre o paciente. Isso gira o eixo do processo de internação, que sai daquilo que seria sua função política de esconder os indesejáveis (algo que admitimos hoje como atitude impraticável – porém muitas vezes praticada!) e passa a ter razão clínica que contribuir para algo que traga ganho ao sujeito (ou evite prejuízos). Outra mudança que esse giro traz é a necessidade de avaliação de cada caso individualmente, uma vez que a internação por razões clínicas não comporta a equação pré-definida “louco=internação”. Ela propõe-se a pensar se nesse caso específico a internação pode trazer algum ganho para o sujeito. Seja lhe dando asilo ou acompanhamento intensivo. Seja protegendo-o dos percalços cotidianos e, porque não?, protegendo quem o cerca de eventuais ações nocivas que ele possa ser levado a cometer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora eu não esteja muito à vontade com essa tal de “internação política”, pois acredito que há outras formas de entender a política das internações, decidi usar essa expressão assim mesmo, mas deixando claro que me refiro a uma forma de se praticar as internações, não pretendendo encerrar apenas nessa definição tudo que a palavra “política” pode compreender. Desculpem por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que tem psicólogo lendo isso, portanto gostaria da opinião abalizada de vocês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-3222254468340381356?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/3222254468340381356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=3222254468340381356&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/3222254468340381356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/3222254468340381356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2010/04/precisa-de-internacao-precisa.html' title='Precisa de internação precisa!'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-935605113187376657</id><published>2009-12-21T17:44:00.000-08:00</published><updated>2009-12-21T17:44:08.669-08:00</updated><title type='text'>Eu também quero!</title><content type='html'>Esse tal Crepúsculo está me dando nos nervos. Acabei de passar os olho em uma matéria de revista usando a premissa dos livros/filme para falar sobre o romantismo e pensei “cara, como uma coisa tão canastrona está dando tanto o que falar?”. Claro, não fico puto só do “alto de minha competência para assuntos gerais” para criticar esse tipo de coisa. Fico também com um quê de inveja. Uma das coisas que me fariam mais feliz seria fica rico com algo que escrevi. E nesse aspecto tanto as escritoras de Crepúsculo e de Harry Potter são, algo como que ídolos fajutos, por assim dizer desse processo. Livros aos quais atribuo muito pouco mérito e que deram aos autores algo que eu gostaria. No caso do Harry Potter, o que me deixa danado é a relação com Timoty Hunter? Já ouviram falar? Trata-se de um personagem de quadrinhos de Neil Gaiman.  Um garoto de óculos, moreno, inglês, que descobre ser o maior mago de nossa era e tem uma coruja. Familiar? Pois é. Claro, Harry Potter vai se desenrolando por outros caminhos, diferente do Timoty Hunter e a isso devo ceder algum crédito À sua autora. Embora minha teimosia ainda me sugira que seu percurso não é tão diferente, em geral, do feijão com arroz “predestinado arquetípico com poder para salvar o mundo enfrenta seus demônios arquetípicos internos e externos, com a ajuda de seus amigos arquetípicos”. Vale pelos efeitos especiais. Sobre Crepúsculo, alguém mais vê alguma semelhança com Entrevista com Vampiro, ou sou apenas eu? Quer dizer, em certo período tivemos Nosferatu, a besta horrorosa que fazia Deus sabe o que. Tivemos Drácula, que era meio fera, porém sedutor (e o era por razões, sei lá, telepáticas, místicas ou sei lá o que – diferente do vampiro andrógeno de Anne Rice). E claro, Louis, Lestat, Armand e sua trupe, o pessoal meio em cima do muro de Anne Rice. Particularmente gosto muito mais das consequências que ela dá pra essa coisa mais assexuada e que portanto exige outro canal de satisfação, no caso o sangue, do que a punheta de gosto-de-meninos-e-meninas que também acaba resultando desse tipo de personagem. Na verdade gosto muito mais do rumo que Vampiro – A Máscara dá aos personagens.&lt;br /&gt; Enfim, vampiros tiveram algumas caras ao longo desse período que recortei. Agora me aparece uma legião de... pessoas... tratando Crepúsculo como o santo graal do romance gótico, como algo legitimamente novo, coisa e tal. Isso não me convence. Se alguém mais instruído souber a razão, por favor, me explica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-935605113187376657?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/935605113187376657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=935605113187376657&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/935605113187376657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/935605113187376657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/12/eu-tambem-quero.html' title='Eu também quero!'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-6152304382472936194</id><published>2009-11-15T13:08:00.000-08:00</published><updated>2009-11-15T13:12:24.158-08:00</updated><title type='text'>E o preconceito, a quantas anda?</title><content type='html'>Então, recebi um e-mail, se não me engano, da Lívia falando sobre uma pesquisa no site do Senado Federal. Trata-se do seguinte: Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, eu não acho que assim que sair o resultado o pessoal vai levantar o rabo e aprovar, fazer andar ou seja lá o que for que eles façam em suas malocas, mas acredito que isso dá alguma noção pra gente a quantas anda a cabeça de algumas pessoas. E não em refiro aos queridos senadores. O que me fez ficar de queixo caído foi o resultado do negócio. Assim que votei estava em 52% para “sim” e 48% para “não”. Eu não acho que sou um sujeito alienado, muito preso às minhas idéias e idiotices. Eventualmente eu compro as idiotices alheias. Mas eu fiquei surpreso e pensando no tipo de pessoa que seria contra esse tipo de Projeto. A primeira coisa que me ocorreu foi que seriam de fato os preconceituosos que, tendo em vista o fato disso se tornar proibido por lei, sofreriam conseqüências por conta de seus atos. Mas, me digam uma coisa: o sujeito preconceituoso sabe que o é? Tipo, o sujeito pega e diz “Não, não gosto de gays. Tenho preconceitos quanto a eles. Quer dizer, não conheço os caras, mas devem ser todos uns sem-vergonha”, ou seja, ele vai e fala que é um tremendo idiota? Porque, à parte toda cretinice na discriminação em si, existe a questão mais simples (e Deus sabe o quanto essas pessoas são simples): o cara assina em baixo de estar fazendo algo totalmente irracional! Porque na real, o sujeito preconceituoso não se acha preconceituoso. Ele não tem um pré-conceito, como o pessoal gosta de escrever ou falar pra dar ênfase (que, aliás, é bizarro – a menos que seja alguma mudança nessa nova lei ortográfica, o que os tornaria apenas certos, porém ainda bizarros). Ele tem um conceito que toma como verdade. Para ele, “negro é ladrão”, “gay é safado”  e pronto. Ele “sabe” disso, tem total certeza de que não está fazendo um julgamento precipitado. Entendem? Então esse cara não deveria, em tese, se preocupar com um Projeto de Lei, porque ele “sabe” que está correto e que sua avaliação sobre o outro não é preconceituosa. Ele deveria se preocupar com algum projeto que resolvesse punir que expressasse livremente o que acha dos outros no tocante à etnia, orientação sexual, time de futebol e etc. Mas estou me estendendo. Quero chegar mesmo é em quem seriam essas pessoas que, em bom português, afirmam ao negar esse projeto o seguinte: “Não, eu quero continuar sendo preconceituoso sem sofrer retaliação legal”. Alguém tem alguma idéia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS do inconsciente: acabei de ver, antes dessa pesquisa um lance chamado Escala Allport, que mede o grau de preconceito de uma sociedade. Pra vocês ver...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-6152304382472936194?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/6152304382472936194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=6152304382472936194&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6152304382472936194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6152304382472936194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/11/e-o-preconceito-quantas-anda.html' title='E o preconceito, a quantas anda?'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-5304504619934598106</id><published>2009-09-20T12:55:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T12:59:37.010-07:00</updated><title type='text'>Nostalgia e Vodca</title><content type='html'>Como de costume, eles se encontraram no Madruga. Como de costume, Samuel estava de cara fechada e Bonfim com aquele sorriso de quem está arrumando sarna pra se coçar. Como de costume. Sentaram-se na mesma mesa e sempre. Uma bem no canto, de onde podiam observar o movimento, olhar para as prostitutas e ficar perto o suficiente do balcão para ouvirem qualquer segredo que não lhes dissesse respeito. &lt;br /&gt;- Então, Samuca, porque essa cara de bunda?&lt;br /&gt;- Não estou com cara de bunda.&lt;br /&gt;- Está sim. Você sempre está com cara de bunda, mas hoje está pior. Dá até pra achar que andou chorando. O que foi? Perdeu a mulher? De novo?&lt;br /&gt;- Não, idiota. Não é nada disso. É só que eu estou meio chateado. Na que não vá passar sozinho.&lt;br /&gt;- Ah, sei. Quer falar sobre isso o que está acontecendo?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Foda-se. Olha, cara, eu te conheço há pouco tempo, mas a gente já compartilhou mais coisa nesse tempo do que a maioria das pessoas compartilha a vida inteira. E olha que somos dois sujeitos difíceis. Mas você um dos poucos amigos que tenho. E o único que eu tenho no raio de alguns quilômetros. Então pare de showzinho e fala logo o que se passa.&lt;br /&gt;- Você é um saco, sabia? Porra, é que eu estou meio chateado com o rumo que as coisas tomaram. Bem, não é bem isso. Eu estou onde estou por vontade própria. Você sabe, que eu sou pior que uma mula quando decido pegar a esquerda em ã ao direita.&lt;br /&gt;- Deus, se sei. Chega a ser meio burro.&lt;br /&gt;- Tá, ta. Pediu que eu fale, agora senta o rabo e ouve. A verdade, cara, é que eu estou um pouco nostálgico.&lt;br /&gt;- Ah, cacete! É isso? E eu achando que o mundo ia acabar. Tipo aquela vez que...&lt;br /&gt;Samuel olhou para Bonfim com os olhos cerrados, uma cosa que em qualquer outro sujeito, para ele, seria ridículo. Bonfim não era um cara de se intimidar facilmente. Na verdade, pode-se dizer que é, em situações normais “inintimidável”, como gostava e dizer. Mas talvez seja porque Samuel fosse um cara ainda mais soturno do que a maioria das coisas que Bonfim encontrou (salvo uma exceção), ou então porque levava o amigo em tão alta conta que se assustou com a possibilidade de estar se excedendo e magoá-lo. Ele ficou quieto.&lt;br /&gt;- Andei um tempo pensando em umas coisas, como elas eram quando eu era moleque. Sabe, nada de assombroso. Talvez essa seja a parte do Samuel que você menos conheça, porque não envolve nada daquilo com o que a gente costuma se envolver. É normal, e por isso, pode soar anormal. Quando era moleque, ainda no tempo de escola, eu tinha uma galera com quem costumava andar. Foi meu período mais junk, por assim dizer. Foi um tempo bom, sabe? Toda essa porra de morte, família, morte em família, morte dos outros, a minha própria. Tudo isso era uma besteira tão desimportante que só aparecia nas músicas que ouvia. A gente ouvia Pearl Jam, tomava vodca vagabunda, comia biscoito e tentava comer alguém. Era nosso mundo. Por alguma razão eu tenho a impressão de que foi o tempo mais feliz da minha vida. Mas eu fico é danado de pensar assim, porque, como a gente sabe, não dá pra viver com a venda da juventude pra sempre. Pelo menos não pra sujeitos como nós. Aí eu fico pensando se tomei as decisões mais acertadas, se deixei de fazer as coisas certas. Fica a impressão de que se antes era tão bom e se hoje eu sinto falta, é porque tem coisa errada. E você sabe como odeio errar.    &lt;br /&gt;- Hum. Acho que entendo.&lt;br /&gt;- Então. É assim que...&lt;br /&gt;- Você está ficando velho...&lt;br /&gt;- O quê?!&lt;br /&gt;- Você está ficando velho. E surdo, parece.&lt;br /&gt;- Seu imbecil, eu estou falando sério e você...&lt;br /&gt;- Eu não. Fico cada dia mais esperto. Samuel, meu velho, eu vou te falar uma coisa. Não precisava estar falando isso, porque foi você mesmo que me ensinou, paspalho. Sabe muito bem que a gente tem um fardo: viver especulando sobre como as coisas seriam se você tivesse feito algo diferente em um ponto da sua vida. Besteira! Sabe por quê? Porque você não pode comprar uma fantasia com a realidade. É uma competição desigual. Eu sei. Você sabe. A realidade é cheia De lixo, gente escrota, sangue e lágrimas. Tem outras coisas também. A fantasia é só esse mundinho de mentira que você acha que poderia ter. Acha que pode ser adolescente pra sempre? Não pode. Porque mesmo que compre uma camisa de banda e uma garrafa de vodca, o que vai virar é um mendigo. Se tiver sorte vai ser um sujeito adulto vestido de criança. Que nem um escoteiro! E você, pra escoteiro, precisa morrer uma segunda vez, meu querido. Escuta, cara. Não é raro se sentir desse jeito. Não mesmo. Tenho certeza que você está assim porque tem alguma merda fedendo ai no seu quintal. Nem quero saber o que é. Não hoje. Olha à sua volta, Samuca. Sua vida é essa maluquice porque você quis assim. E é disso que você gosta. Pode gostar de um pouco de tolice juvenil de vez em quando, mas não pra sempre. Não pra que isso seja sua vida. Camisa de banda! Há! Essa é de rachar o bico! &lt;br /&gt;- Verdade. Sabe, Bonfim, você é um cara esperto. Não tanto quanto pensa que é, mas o suficiente. Manda o Siri trazer uma vodca vagabunda. Vamos espremer essa idiotice e ver se sai algo de bom...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-5304504619934598106?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/5304504619934598106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=5304504619934598106&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5304504619934598106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5304504619934598106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/09/nostalgia-e-vodca.html' title='Nostalgia e Vodca'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-9128135233983042361</id><published>2009-09-10T13:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T13:36:35.700-07:00</updated><title type='text'>Ao mestre, com carinho</title><content type='html'>Aí o MEC está fazendo um monte de propagandas sobre o professor, né? Por um monte, leia-se duas, mas é mais propaganda do que a Coca Cola tem feito ultimamente (essa do besouro eu já vejo faz tempo!!!). Claro, as pessoas já gostam de Coca, por isso não precisa de tanto. Já de ser professor... bom, a coisa não é bem assim, como todos sabem. Isso me lembra aquela apresentação do Chico Anysio que todos conhecem por terem visto no Jô. “Ah, uma família de professores e a senhora vai e vira puta!?”. “Dei sorte, meu filho. Dei sorte...”. É, minha gente, quando a coisa vira piada, é porque está de fato perigosa. Vide as gozações sobre o Sarney e companhia limitada. Veja bem, eu gosto muito de sátiras. Na verdade é minha principal fonte de informação a respeito de coisas que não presto atenção no cotidiano. Voltando ao professor. Minha mãe é professora e eu digo a vocês: não recomendo. Ganha mal, trabalha muito, geralmente não é bem quisto pelos alunos – e olha que ela é professora de educação física! Imagine se fosse de matemática ou química, ou física. Digo isso porque, de modo geral a visão da molecada é a de “nós e eles”. Aliás, “nós contra eles”, marca registrada dessa idade terrível, a adolescência. Sabe como é: a instituição é errada, não serve pra nada, eu enquanto indivíduo jovem é que tenho razão, vamos transgredir e etc. Claro que eu já fui assim. Você também, de um jeito ou de outro. Mas, para não dar muita lenha pra esse papo, retorno à propaganda em si. Acho interessante, mas isso me alarma um pouco. Veja, ninguém faz propaganda de água, por exemplo. Nem de arroz com feijão (com exceção do ministério da Agricultura, o que é um desaforo se você parar pra pensar. Com q quantidade de gente obesa, o governo devia colocar suas necessidades econômicas depois da saúde, mas quando dizem “coma arroz com feijão”, eu escuto um grande “COMPRE... blá blá blá, se fode aí”). A razão disso, é que ninguém precisa ser lembrado de beber água. Da mesma forma que todos sabem... que devem comer arroz com feijão. Quando se faz a propaganda de alguma coisa, você quer chamar a atenção do público para algo que ainda não tem essa atenção. Por isso fico preocupado com essa propaganda do MEC. Ela denuncia que não há a devida atenção com nossos queridos professores. Logicamente não estou falando novidade alguma. O que acho mais obscuro, porém, é o seguinte: quanto o governo paga para esses professores? Quer dizer, se o salário está vinculado ao nível de trabalho. Em uma empresa, quem desempenha a função mais importante, seja no campo administrativo, de produção, de saber ou tecnologia, ganha mais. Aí você vem e diz que o professor é o cara mais importante da paróquia, mas paga um salário sem vergonha pros caras!!!! Das duas uma: ou você está mentindo, e esse sujeito não é tão importante assim, ou você não leva muita fé no que diz. Aliás, esse lance de propaganda é uma coisa engraçada: quando não se está falando de um produto, pode reparar, só se faz propaganda quando a coisa vai mal. As pessoas só se preocupam em mostrar os pontos fortes, sejam eles reais ou mentirosos, de alguma coisa quando os pontos fracos começam a pipocar. Na boa, o nosso governo é uma piada. E pensar com o salário de um aspone você paga 2 ou 3 professores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-9128135233983042361?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/9128135233983042361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=9128135233983042361&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/9128135233983042361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/9128135233983042361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/09/ao-mestre-com-carinho.html' title='Ao mestre, com carinho'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-2416282485750056220</id><published>2009-08-19T13:47:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T13:49:24.413-07:00</updated><title type='text'>Armas, idiotas e armas com idiotas</title><content type='html'>Quanta gente burra! Eles dizem assim: se as pessoas, toda elas, tiverem armas, os bandidos vão pensar duas vezes antes de se meter com elas. Engraçado, faz tempo que eu não ouço falar de bandido fugindo de polícia. E olha que os homens da lei já vêm quentes, preparados, treinados e com licença pra atirar na bunda dos sujeitos. Não sei não, não sei não. Acho que tem gente querendo fazer valer a própria vontade na força. Espere, mas isso não é o papel do criminoso? Eu já até imagino a cena: o cara sai com a patroa, toma uns gorós, fica chato e distraído. Ai toma um chifre. Então resolve dar um teço no Ricardo, mas este também é “preparado” e os dois encenam aquela clássica do duelo. Só que na TV, todo mundo se tranca em casa e assiste pela janela. Mas se todo mundo tem arma, bom, não é pra dentro de casa que o povo corre. Agora você imagina uma galera armada de um lado “protegendo o amigo corno”, uma galera armada do outro “protegendo o amigo Ricardo”. Um, dois, três e já! Deve ser que nem naquelas batalhas onde os dois exércitos param diante um do outro e um atira. Depois, enquanto o primeiro recarrega, o outro atira. E por ai vai, até sobrar só um sujeito de sorte. Agora, veja você: se o potencial de letalidade de um ataque, briga ou o que quer que seja ainda não é perto de 100%, é porque ainda temos pessoas idiotas querendo matar umas às outras com os punhos, canivetes, castiçais e etc. Se você coloca uma pistola na mão de cada um deles, o que acontece?  Já posso até ver, um futuro pós apocalíptico onde um homem, um destino, um Colt... e um bom tênis de corrida, porque tem um monte de maluco correndo atrás dele com um monte de Colts querendo queimar a bunda do carinha! As pessoas acham que podem ser como Chuck Norris.&lt;br /&gt;Li em um site que um sujeito, Larry Pratt, defensor do porte de armas, disse que no massacre e Columbine, se cada professor tivesse uma arma, o assassino teria sido abatido antes de provocar mais mortes. Certo. Bom, então ao invés de policiais, vamos treinar essa rapaziada toda em tiros de longo alcance e precisão. Aliás, nem precisa de policiais. Coloca um computador pra fazer isso, espalhado pela cidade. Quando ele detecta um crime (não importa qual crime!!!), mete uma bala no sujeito. E cara levanta mão pra uma mulher- BANG!, um sujeito, tentando tomar a carteira do outro no muque –BANG!. E por aí vai. Eu achei que a policia fosse pra prender criminosos, não para matá-los. Mas não, o burro, devo ser eu mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-2416282485750056220?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/2416282485750056220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=2416282485750056220&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/2416282485750056220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/2416282485750056220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/08/armas-idiotas-e-armas-com-idiotas.html' title='Armas, idiotas e armas com idiotas'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-3209460492113897731</id><published>2009-08-13T09:59:00.000-07:00</published><updated>2009-08-13T10:00:45.380-07:00</updated><title type='text'>Nosso mundo livre</title><content type='html'>Um dia, quando eu for dono do mundo ou ao menos for Ministro da Fazenda, ou seja lá quem for o sujeito que invente o nome do dinheiro, eu vou chamá-lo de Liberdade. Aí, quando aluem chamar alguém para ir ao cinema, o outro pode dizer “hum, acho que posso, tenho $$$ liberdades, o que me permite pagar a passagem, a entrada e, talvez, uma pipoca. Infelizmente não tenho liberdade de comer no McDonaldas, mas tudo bem”. O que quero dizer com isso é um pouco maior do que uma piada tosca. É o seguinte: o discurso moderno, capitalista-democrático (burrr) sugere que todos podem fazer o que quiserem, desde que, claro, seja permitido por lei. Dizem que existem direitos iguais, mas isso é mentira. Não estou falando novidade nenhuma para maioria, mas, acreditem, tem gente que acredita de verdade nesse papo de direitos iguais. Então, imaginem uma corrida. Nela tem um sujeito montado em um cavalo daqueles treinados, de corrida mesmo, e o outro está montado em, digamos, uma tábua de passar roupa. Coitado, foi o que ele pôde comprar, ora. Velente, foi para a corrida mesmo assim. Muito bonito, muito louvável, e pode até ser que ele consiga colocar a tábua na garupa, sair correndo, o cavalo do outro camarada tropeçar ou ter um ataque epoplético no meio da corrida. Mas a menos que tudo isso aconteça, o sujeito da tábua vai perder. Pode ser um jóquei muito melhor, mais competente (supondo que teve dinheiro... ou liberdade... para treinar com um cavalo de verdade. Talvez alugar um, ou pegar emprestado com o coleguinha ao lado). Mas em um mundo normal uma tábua de passar jamais corre tanto quanto um cavalo de corrida, não importa o idiota que a monte. Sério, é verdade! Então, isso me leva ao ponto: em um mundo no qual as pessoas têm condições desiguais de progresso e oportunidade, não pode haver liberdade. Eu fiquei um pouco encucado com isso (o quem e levou a essas obviedades todas – desculpem) por conta de umas coisas que andei lendo e pensando. Sobretudo no que diz respeito a regimes políticos totalitaristas e a democracia propagandeada pelos países que, de alguma forma, lideram o (adoro essa expressão) “mundo livre”. Dizem que no regime totalitário o governo comanda o sujeito de acordo com seu interesse, que por isso ele é mau e cara-de-melão. Olha, que o totalitarismo, ao menos da forma que vimos até hoje (se é que há outra, vai saber...) não foi bom negócio em vários aspectos, essa democracia demagógica e hipócrita que nos trazem como alternativa também não vai bem das pernas. Se você tem um governo que é democrático, mas que por motivos econômicos omite informações do seu povo (talvez alguma coisa referente a uma certa gripe, por exemplo), ou investe em um certo tipo de combustível só pra se consolidar como grande fornecedor mundial dele, mesmo sabendo que é uma política muito da chinfrim frente a outras alternativas e retorno a médio e longo prazo, suponho que ele está deixando um pouco a desejar. O que diabos isso tem a ver com liberdade? Simples: se há manipulação não há liberdade. Manipulação de informação, de idéias, for formação da rapaziada que vai mandar amanhã no mundo. O que você acha que é uma propaganda? Foi-se o tempo que era somente a divulgação de algo novo (se é que um dia já foi só isso – provavelmente não). No dia que você viu, pela segunda vez um comercial de um produto, eles já estão dizendo “olha, esse treco existe. Não que seja importante o suficiente pra você lembrar dele sozinho e por isso venho por meio desta te lembrar, mas se você não tiver – seja lá qual for o produto – você será pior do que quem não tem”. E isso se torna ainda mais perturbador quando o produto em questão é uma idéia, uma forma de ver as coisas. Vendem conceitos, preconceitos, vende coisas que podem não se boas pra você. E quem controla isso? Bom, n regime totalitário é o Grande Irmão, mas aqui, na “democracia do mundo livre”... eu não sei. É uma engrenagem tão grande e complicada que o vendedor de arroz pode ter algum tipo de relação com o fabricante de bonecos do He-Man e, por isso, influenciaram nas decisões um do outro que, no dia que o He-Man aparecer comendo arroz em seu desenho você nem vai saber porquê. E certamente ninguém vai te dizer. Talvez o cara que plante feijão. Mas só se isso atrapalhar seus negócios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-3209460492113897731?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/3209460492113897731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=3209460492113897731&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/3209460492113897731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/3209460492113897731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/08/nosso-mundo-livre.html' title='Nosso mundo livre'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-1076543843869592590</id><published>2009-08-05T06:33:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T06:34:37.411-07:00</updated><title type='text'>Herói</title><content type='html'>Invariavelmente a morte é a estrela desse pequeno palco. Muitas são as formas de falar dela, o que acontece depois (ou se não acontece nada, que é o que me assusta), mas pouco se fala de como se chega a ela. Em linha gerais, creio que seja uma marcha mesmerizada até um desfiladeiro, no qual todos cairemos quando chegar a nossa vez. Não queria que fosse assim, mas acho que é. A única coisa que me conforta, não por evitar esse destino fatal, é ver que de vez em quando, uma criança de doze anos pode sair correndo, furar a fila e passar todo mundo, naquele instante, só porque fez algo correto. O que conforta, claro, não é a noticia da sua morte, mas a idéia de que ações como essas fazem com que eu acorde dessa marcha angustiante para o desfiladeiro. Como uma vez um professor meu disse “pode-se morrer, mas não de qualquer jeito”. E foi justamente o que aconteceu com Emerson Gomes essa semana. No domingo ele estava brincando na rua com outras crianças, quando começou um tiroteio. Ele correu em direção a outra criança, um amigo, com metade da sua idade, e o protegeu com o próprio corpo enquanto a insanidade comia solta. Por causa disso foi baleado, se não me engano no quadril, e foi hospitalizado. Ele faleceu nessa segunda-feira, quando tinha doze anos. Creio que se não fosse por ele, quem teria levado a bala seria o amigo, de seis anos. Outra coisa que chama a atenção para a história, como se já não fosse muito esse ato de... nem vou tentar nomear isso... a razão pela qual o tiroteio tinha começado, foi que uma vez um cara impediu que bandidos roubassem um celular. Os safados, não satisfeitos com os planos frustrados, foram atrás do sujeito e meteram bala. Não sei o que houve com esse cara, mas gostaria de saber. Espero realmente que esteja bem. Uma pessoa morrer por fazer o que considera certo já é um preço muito alto. Agora, eu não sei o que é pior: se é uma criança ter mais juízo do que um adulto a ponto de fazer uma opção tão foda quanto essa enquanto esses malditos bandidos fazem a escolha errada – duas vezes – ou se é uma espécie e sensação que essa notícia traz. Porque é uma coisa que me divide. Ao mesmo tempo que fico emocionalmente feliz por ver um herói – um herói de fato! – fico triste por ele se fazer necessário, e mais, por ter que pagar com a própria vida por isso. Ah, esse texto está uma merda, não é metade do que eu quero dizer e muito menos é metade do que esse garoto merece. Eu só queria que esse evento não passasse em branco e que talvez, mais alguém pensasse sobre isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-1076543843869592590?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/1076543843869592590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=1076543843869592590&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/1076543843869592590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/1076543843869592590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/08/heroi.html' title='Herói'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-7335197098089679519</id><published>2009-07-15T16:44:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T16:47:51.125-07:00</updated><title type='text'>O homem que era amado pela Morte</title><content type='html'>"Um deus que não cuida dos seus, não merece adoração".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas foram as últimas palavras dele antes de seus pés dançarem sob o cadafalso. Como muitos dos homens que foram enforcados naqueles tempos, ele foi considerado herege, um inimigo de Deus e, portanto, inimigos dos homens de bem. Claro que naqueles tempos, assim como hoje, os homens de bem eram aqueles capazes que comprar sua entrada no Paraíso, o que excluía a maioria das pessoas e a estas só restava a resignação, a covardia e o medo. Era a favor desses que ele lutava. Mas ele diferia dos demais em um aspecto. Não tinha medo nem fé. Ao longo da história, muitos homens se mostraram audazes, mas no fim das contas, todos estavam sustentados pela convicção de que haveria alguma recompensa pela sua retidão e coragem. Assim morrem os mártires. Eles tinham um lugar melhor para ir do que a terra de seus executores. Da mesma forma, havia os homens que não acreditavam em nada além do ouro e a esses, foram reservados lugares especiais nas fileiras de qualquer um que pudesse pagar seu preço. Mas não com ele. Não era um mercenário, era um nobre. Herdeiro de uma família abandonada por seus súditos, cujo direito sobre as terras fora usurpado pelos inimigos que naquela noite bebem à sua derrota e festejam sua morte. Mas apesar de a morte não ser o fim, para ele, não havia Céu ou Inferno esperando para dar-lhe desfecho. Seu destino estava em suspenso, longe do alcance de suas mãos. Apesar disso, embora estivesse impotente, ele não tinha medo. Estava em uma escuridão infindável, sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quanto tempo esteve só, não é possível saber. Talvez uma eternidade inteira tenha se passado, mas como medir o tempo sem pares ou mundo? Esteve assim até que foi visitado por uma criança com olhar auspicioso. Ela lhe estendeu ambas as mãos. "Você não pode ficar aqui, sozinho, no escuro", ela disse, "venha comigo e essa solidão terminará". "Não temo a solidão", ele disse. Outra eternidade se passou e um homem, com roupas finas e postura altiva surgiu de lugar algum e lhe estendeu a mão. "Não tema", ele disse, "tudo está acabado agora. Vou levar-lhe para onde lhe é devido". "Não. Pertenço ao lugar que escolho, e nenhum outro. Não preciso de guia". Então, quando mais uma eternidade havia se passado, um velho com sorriso malicioso e andar cansado, aproximou-se e disse: "Venha comigo, para fora dessa escuridão. Vou levá-lo a outro lugar, onde poderá fazer algo que não ficar aqui". Ele então lhe disse. "Não importa quantas vezes tente me levar. Não irei para onde não acredito ser o meu lugar. E da mesma forma que não pertenço às punições dos pecadores, pois meu único pecado foi ser justo, não desejo sentar-me ao lado de quem não respeito. Mais uma vez você vem, e mais uma vez eu lhe digo não".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após outro tempo indeterminado uma mulher aproximou-se dele. Mas ela não disse nada. Dessa vez apenas sentou-se ao seu lado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem então acordou ainda pendurado, agora sem platéia uivando pela sua dor. Apenas o ronco bêbado de um mendigo lhe deu consciência de que estava ainda no local de sua execução, ainda pendurado pela corda. Compreendeu então que estava vivo, e lembrou-se do que a mulher lhe dissera. "Não entendo porque resiste a mim, porque não cede aos meus chamados. Talvez seja por convicção, mas mesmo os mais convictos jamais recusam a mim. Talvez seja por não temer ficar aqui para sempre, ou temer a mim. Seja como for, estou cativada por você e me encontro diante de uma difícil decisão. Se levá-lo para o que há para além da escuridão, jamais voltarei a vê-lo e isso eu não suportaria. Vou, então, conceder-lhe novamente sua vida. Assim poderá morrer novamente e então nos encontraremos outra vez". Não era um sujeito idiota e sabia exatamente o que aquilo significava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anos se passaram e como da primeira vez, os homens semearam a guerra e regaram como sangue daqueles que os seguiam. Mais uma vez ele mostrou-se contra e tentou fazer algo além de proclamar seus pensamentos. Pegou em armas e buscou resistir à pressão dos poderosos. Entretanto, como acontece aos mais fracos, foi derrotado e morto pelos adversários. Mais uma vez a mulher sentou-se ao seu lado, pegou-lhe mão e sorriu. Mais uma vez voltara a viver. Isso se repetiu algumas vezes, por séculos. Quando um grande evento surge e anuncia que muitos morrerão por poucos, ele ergue-se para fazer resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje um novo tempo se aproxima. A humanidade mais uma vez tem um grande poder em suas mãos e pouco controle sobre ele. Esse poder será objeto da cobiça de alguns homens e eles vão usá-lo para seus fins. Mais uma vez, inocentes e ignorantes morrerão. Mais uma vez ele levantará sua voz contra o poder vigente e buscará mudanças. Dessa vez será diferente. Não lutará sozinho e buscará o apoio de outros como ele. Talvez dessa vez ele vença. Mas, se não, ao menos vai vê-la novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-7335197098089679519?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/7335197098089679519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=7335197098089679519&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/7335197098089679519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/7335197098089679519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2009/07/o-homem-que-era-amado-pela-morte.html' title='O homem que era amado pela Morte'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-4301309956939921155</id><published>2008-11-05T08:53:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T09:01:49.385-08:00</updated><title type='text'>“Oh, Capitão, meu Capitão”</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;text-indent: 0px; "&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;"Por que fez isso?”, perguntaram. Eu apenas sorri. Alguns acharam tratar-se de um sorriso de deboche ou de inconseqüência, por desconhecer a severidade dos meus atos. Mas não se tratava disso, na verdade. Sorri por ver que estavam tão subjugados por sua hipocrisia que eram realmente incapazes de enxergar minhas razões, por mais óbvias que fossem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;text-indent: 0px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;Talvez por cansaço, mudaram a sentença: diziam “você fez isso por causa dele!”. Tentaram me comprar ofertando isenção por ingenuidade. Apesar da raiva que senti por ter meu caráter ofendido, hoje vejo que não poderia ser diferente, já que me presumiam em tão baixa conta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;Apesar disso, não lhe expliquei meus motivos. Entendi que não se podia falar com quem não compartilha a língua e eles não entendiam o meu. Eles falavam o idioma da alienação e este, digo com orgulho, deixei para trás no esquecimento. Estavam tão submersos em sua filosofia hipócrita, que preza pela revelação pública, mesmo que notória seja sua farsa encobridora, &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;que a verdade, não se conformando com seus preconceitos, perde seu status e é relegada aos sussurros nas sombras. Em virtude de tudo isso, quando me ofereceram uma fuga covarde cuspi em seus papéis e sinetes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;Hoje me oprimem com as conseqüências de seus códigos vis. Se não chegam ao meu espírito, buscam ao menos marcar minha carne. Apesar de preservar o quem e cabe de mais digno, gostaria de pensar que venci, mas seria um engano. Uma vitória de tal feitio não tem repercussão nos corredores escuros por onde aqueles corrompidos por seu sistema caminham mesmerizados. Torna-se irrelevante, pois, assim que meus gritos de protestos se esvaírem com minha vida, toda minha luta será profanada. Minha história será escrita como eles desejarem e as razões reais de minhas atitudes serão perdidas para sempre. Não haverá inspiração. No fim a norma segue adiante e devora todos que se prostram diante dela. E são muitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;Se não venci, o que ganhei, afinal? Gosto de pensar que, apesar disso tudo, não foi uma batalha perdida. Se me perguntam qual foi meu ganho com essa contenda, de pronto respondo: eu sempre me aquecerei nas chamas que consumiram meu algoz. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Dedicado à Sociedade dos Poetas Mortos.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-4301309956939921155?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/4301309956939921155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=4301309956939921155&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/4301309956939921155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/4301309956939921155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2008/11/oh-capito-meu-capito.html' title='“Oh, Capitão, meu Capitão”'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-7232429618913237756</id><published>2008-09-08T16:18:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T19:42:07.216-07:00</updated><title type='text'>Luz, Sombra e Penumbra</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Muitos de meus irmãos colocaram-se ao seu lado, pois compactuavam com sua belicosidade e sua intolerância. Juntos, marcharam sobre os corpos de seus antigos aliados, esmagaram seus antigos símbolos. Juntos, enfrentaram o julgamento, cada qual como lhes era adequado. Juntos traíram. Juntos caíram.”&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Você acha que eles não merecem ser salvos, Bonfim?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Nesse caso, acho que não é algo que depende da gente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Como assim? Nosso dever é trazê-los de volta à luz!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Conversa. Isso é besteira. Luz, Sombra. Você precisa se livrar desse maniqueísmo se quiser entender como as coisas são de verdade.  &lt;span style=""&gt;Cada um de nós usa encara o mundo de uma forma diferente e não há bem ou mal absolutos. Todos vivemos na penumbra. &lt;/span&gt;Eles estão lá porque querem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eles foram enganados! Não sabem de quem se trata! Seguem por seu carisma, por sua retórica.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;-Eles só o seguem porque pensam de forma semelhante! Seguem porque são como ele!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não... não pode ser. Isso faria deles...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Isso faz deles exatamente iguais a mim ou a você, mas com opções diferentes. Nada mais, nada menos. Além disso, não há nada que possamos fazer, efetivamente. Eles seguem seus corações. Vão enfrentar as conseqüências disso, quando for o momento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não entendo. Nosso propósito é trazer a verdade. Desmascarar os que buscam ludibriar os desavisados. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Como podemos deixar que eles sejam conduzidos pelo inimigo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Trata-se de uma questão simples. Não estamos aqui para reconduzi-los até a luz, ou seja lá como você queria chamar seu código de ética. Para isso, deveríamos, primeiro, presumir que essa ética é a correta, o que já seria uma grande idiotice. Segundo: só se reconduz alguém que se desviou de algo, um caminho, talvez, que já seguisse. Também não podemos partir daí. Acredite, eles estão lá justamente porque suas escolhas os levaram a isso. Você não é um salvador, amigo. Contente-se em ajudar quem quer sua ajuda. Cada um segue sua trilha, molda seu caminho. Alguns seguem em nossa direção, pois têm filosofias próximas às nossas. Outros não. São caminhos diferentes, apenas. Por isso, cuidado com suas intervenções. Você não está apto a dizer quem está certo ou errado. Nenhum de nós está.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;-Me recuso a acreditar que as coisas sejam tão caóticas! Se fosse assim, não importam os atos, não importa a moral. Todos estão certos e vence o mais forte!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Não se trata de vencer, amigo! Trata-se de ir adiante! Não importa para que lado seguem, todos os caminhos levam a um mesmo destino. O Julgamento. O que a maioria não sabe, e os que sabem, muitos tentam ignorar, é que o juiz não é outro senão o próprio réu. Cada um é juiz de si mesmo e decreta, por assim dizer, a pena que lhe for necessária para aprender e ir adiante. Não se engane. Ninguém está livre disso, pois todos estão sujeitos aos erros e, sobretudo, ao arrependimento. É questão de tempo. A culpa está ao alcance de todos. A redenção, de alguns.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- E o que acontece com os que não chegam à redenção?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Vêm para cá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Estou falando sério!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Eu também. Eles vêm para cá. Aqui é onde esses, que ainda não se resolveram, vêm procurar respostas. E eu estou aqui pra ajudá-los nisso. De um jeito ou de outro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Então, não há Céu, Inferno, Deus, Diabo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Deus... &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Diabo... já vi muita coisa nessa vida. Algumas reclamavam esses títulos, mas nenhuma estava à altura. Sobre o Céu e o Inferno, não seja tolo. Claro que existem. Estão, ambos, dentro das nossas almas.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-7232429618913237756?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/7232429618913237756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=7232429618913237756&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/7232429618913237756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/7232429618913237756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2008/09/luz-sombra-e-penumbra.html' title='Luz, Sombra e Penumbra'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-413832428340374789</id><published>2008-08-11T20:18:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T20:19:18.972-07:00</updated><title type='text'>Semelhanças</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Por que diabo você usa essa cruz no pescoço?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- É um Ank.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso. Então, nunca entendi a razão disso. Você não é ateu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Sou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-E isso não é alguma coisa egípcia, sei lá?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-É. Até onde sei, significa fertilidade e, consequentemente&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;eternidade. Ou imortalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Como assim “fertilidade” e “eternidade”? De onde você tirou isso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Internet.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Não é uma fonte muito segura.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Me basta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Mas, se você é ateu, porque usa isso? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Pela mesma razão que os religiosos usam seus símbolos, claro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-E que razão é essa? Fé? Ateu não tem fé!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Não é fé. É medo. A razão pela qual eu e os religiosos usamos nossos símbolos é o medo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Medo? Como assim? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;-Medo. Usamos símbolos pra ostentar nossos medos. Eles tem medo de irem pro Inferno, por isso cultuam seu Deus, algo irreal, na minha opinião. Inalcançável, no mínimo. Cultuam aquilo que queriam ter. Mas não é Deus ou o Paraíso que eles querem. Querem é ficar longe do Inferno, do sofrimento, da desgraça. Procuram, portanto algo diametralmente oposto e por isso buscam o Céu. Da mesma forma que eu, ateu, temo a morte mais do que tudo. Não tenho Céu para ir, portanto, terminar minha passagem por aqui é assustador. Imortalidade é algo que não posso ter, inalcançável também. Assim como eles, cultuo aquilo diametralmente oposto. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;No fim das contas somos todos covardes.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-413832428340374789?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/413832428340374789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=413832428340374789&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/413832428340374789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/413832428340374789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2008/08/semelhanas.html' title='Semelhanças'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-5134024075870635326</id><published>2008-04-09T19:52:00.000-07:00</published><updated>2008-04-11T00:28:43.819-07:00</updated><title type='text'>Contagem Regressiva</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;"As pessoas, cada um delas, estão separadas por rios. Esses rios são formados pelos medos e egoísmos das pessoas que cercam,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;portanto, como você pode imaginar, são rios bastante grandes. Grandes o suficiente para separar as pessoas de tal forma que uma não consegue ouvir a outra. Mas o mais interessante disso tudo, rapaz, é que elas acham que se entendem."&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Conversar? Perda de tempo, Sônia. As pessoas são incapazes de dizer o que realmente querem e, ao mesmo tempo, são igualmente incapazes de ouvir outra coisa se não aquilo que desejam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Do que está falando, Samuel! Você não está bem, cara. Não está sendo fácil pra mim também, mas a gente – você! – vai ter que superar isso! Eles morreram, e por mais que a gente saiba que não há culpados nisso, vamos ter que parar com essa palhaçada de auto-piedade e seguir em frente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Silêncio. Ele não disse mais nada. Dentro da nova perspectiva de Samuel, não havia razão alguma para se afetar com as palavras de Sônia. Perda de tempo, como disse a ela. Apesar disso, era possível jurar que ele estava prestes a sorrir com desdém. Talvez tenha sorrido, de forma subliminar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Se a vida tivesse senso de humor, com certeza não seria dos melhores. Veja bem: se tivesse. Acontece que não tem. As pessoas têm essa mania de atribuir humanidade a tudo. O homem criou um deus para cada coisa que existe, tamanho o seu medo de estar sozinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ao longo das eras, foram criados e descriados deuses da chuva, do vento, da terra, das goiabas, da vida, da morte, cada qual com sua função que, em geral, era imitar o homem. Não deixa de ser engraçado, porém, Samuel desejar exatamente o oposto disso tudo. Ele queria ficar sozinho. E não era uma vontade boba, para fazer cenas de sofrimento ou simplesmente para ter um tempo de reflexão. Ele queria de fato ficar sozinho. Não sentia verdadeira e absolutamente nenhuma – e eu friso NENHUMA- vontade de estar com alguém. Onde entra o senso de humor da vida? É como se ela gostasse de colocar o homem à prova, porque, independentemente da vontade de Samuel ser real ou não, era justamente isso que aconteceria caso as coisas continuassem nesse rumo. Não apenas pela sua atual postura, o que indubitavelmente redundaria no afastamento de qualquer ser mais inteligente do que um primata superior, mas também pelos cálculos dos últimos tempos, com amostragem verossímil e documentada pelas certidões de óbito de seus pais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Durante os 10 anos que esteve em coma, sua mãe acompanhou cada dia de seu estado imutável. A pobre mulher o visitava todos os dias e rezava, vejam vocês, pela sua melhora. Entre uma infinidade de lágrimas, ameaças e pedidos de perdão por erros que ela sequer cometeu, a pobre mulher não resistiu por muito tempo. Seu corpo dava sinais de definhamento por conta do quadro depressivo, talvez de tom quase melancólico, mas provavelmente suportaria mais algum tempo. Acontece que foi justamente o efeito psicológico desse martírio que lhe trouxe o fim. De um jeito bastante teatral, é verdade. Mas ninguém pode dizer que ela não estava de fato sofrendo. Suas últimas palavras foram delírios (abafados pela porta do quarto premeditadamente trancada) enquanto ela sangrava seus pulsos ao lado do corpo comatoso do filho. Infelizmente Sônia chegara tarde para a visita e só pôde ouvir o fim de um fantástico discurso de fé e chantagem da pobre senhora convocando, com ternura, o filho para salvar-lhe a vida. Chegou até a proferir umas palavras mais esperançosas para Sônia, dizendo que ele voltaria por ela.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ele, é claro, não acordou. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;É preciso mais do que gritos desesperados e chantagem materna para se despertar de um coma. É preciso vontade. Muita vontade&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso foi há cerca de 5 anos. A pobre senhora deixou pra trás um filho comatoso, uma filha a beira do desespero (com alguma razão, devemos admitir) e um pai, que, de ausente, passou a ser nulo. Sônia era a filha mais velha. Quando perdeu a mãe, contava penas com 19 anos mal gastos para suportar o fardo de levar o que sobrou da família adiante. Assim foi até seus 24 anos, com muita dificuldade e um bocado de indiferença, até que seu pai lhe fez o favor de morrer também. Nunca havia sido um grande homem. Nada de inspirador, mas, apesar disso, também não era uma pessoa ruim. No caso, começou a ser quando deixou de trabalhar e continuou a comer. Tornou-se um fardo que sequer se importava com o desmoronamento de sua família, afundado em auto-piedade e cachaça. Sequer cometia algum ato absurdo quando bebia. Isso, ao menos, daria a Sônia algo para culpar pela sua desgraça. Portanto, vamos deixar como está: ele fez um bem a todos quando resolveu morrer de algo que ninguém se importou muito em saber. Parece que foi dormindo, ou engasgado...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O fato é que o número de pessoas à volta de Samuel estava diminuindo e a tendência, considerando a forma que se portava com Sônia, era continuar assim. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-5134024075870635326?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/5134024075870635326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=5134024075870635326&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5134024075870635326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/5134024075870635326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2008/04/contagem-regressiva.html' title='Contagem Regressiva'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-465871463477476573</id><published>2008-03-14T20:09:00.000-07:00</published><updated>2008-03-14T20:16:45.310-07:00</updated><title type='text'>10 anos depois</title><content type='html'>"&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;;"&gt;É simples assim. Apague as luzes e tranque a porta, se tiver coragem. Sim, se tiver coragem, porque o perigo não vem de fora. Vem de você mesmo. Tire sua roupa. Tire suas máscaras. Olhe-se. Não, não desvie o olhar. Olhe-se. Coragem, garoto! Veja como você é de verdade. Veja suas imperfeições, cicatrizes e morbidades. É assim que você é! Nada de pele sedosa, nada de sorriso branco, nada de olhar inocente. Não, você não é mais assim. Por quê? Venha, a resposta está nas sombras."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Isso é tudo que ele lembrava. O que era duas vezes estranho. Primeiro que não tinha nada de luz branca ou anjos cantando, como umas pessoas dizem e,  segundo, porque 10 anos é tempo demais para apenas essas palavras. Se fosse lembrar de algo realmente original, Samuel estava triste de ser apenas o que ele acreditava ser um fragmente da morte. Ou quase-morte, como parecia ser mais apropriado. Mas havia uma diferença. O mundo não era mais o mesmo. Não pelas mudanças naturais da passagem do tempo. O mundo era diferente porque ele o via de forma diferente. Sua vida jamais seria a mesma.&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-465871463477476573?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/465871463477476573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=465871463477476573&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/465871463477476573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/465871463477476573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2008/03/10-anos-depois.html' title='10 anos depois'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8663200464662050629.post-6834778304973832955</id><published>2007-09-10T17:39:00.000-07:00</published><updated>2008-03-13T12:30:11.495-07:00</updated><title type='text'>1993</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Um garoto em uma rua. É assim que começa essa história. Histórias infantis começam com "era uma vez", ao passo que grandes épicos começam com "em tempos distantes" ou algo que o valha. Entretanto, essa história é simples, ao menos em seu princípio. É sobre o jovem Samuel. A bem da verdade, de forma particular, ele mesmo não a consideraria assim tão simples, afinal, está apaixonado. Apaixonado de uma forma especial, como somente um garoto de 10 anos poderia estar. Ele está feliz e com medo ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Hoje ela olhou para ele no corredor da escola e havia algo diferente. Algo no rosto - talvez um rubor - sugerindo que ela estava envergonhada. Sorrindo, porém, ao ser pega enquanto o observava. Isso é bom, segundo sua lógica pueril. Se ela ficou com vergonha, era porque estava, com certeza, pensando em algo, certo? Algo que não se costuma pensar a respeito de alguém, porque, se fosse algo comum, ela não teria ficado com vergonha, certo? Pois então! Isso é claramente um sinal de que ela gosta dele! Nesses tempos, Samuel era um jovem bastante objetivo. Isso, contudo, aliado à sua inexperiência e, obviamente, aos seus desejos, o fazia bastante passional em seus julgamentos. Como qualquer garoto de 10 anos. E outros ainda mais velhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;            Nesse dia, ele sequer pôde ter confirmação sobre seus devaneios. Jamais soube que a tal menina estava apenas resfriada e o rubor na verdade era um pequeno avermelhamento de seu nariz. O sorriso que lançou não foi para ele, mas para uma outra garota, que estava ao seu lado. Essa garota jamais viu Samuel. Não como ele gostaria que ela o visse. Não como ele tem certeza de que o viu. E, apesar disso tudo, a verdade não importa. Ele está apaixonado e, para todos os efeitos, ela também. O que farão? Sair sozinhos, com certeza. Se os pais dela deixarem, claro. Mas ele dará um jeito. Vai buscá-la em casa escondido. Vai salva-la de uma vida chata e tornar-se seu herói. Gostaria de ser como um herói mesmo, pra garantir que nada acontecesse a eles. Seria indestrutível! Não!! Seria forte!!! Poderia assim resolver todos os problemas dela e ela seria completamente grata a ele. Faria tudo que ele quisesse, mas não por medo. Faria porque gostava dele. E eles iriam transar! Sim, transar muito, porque ela parecia ser uma menina quieta, mas seus amigos dizem que as quietas são sempre surpreendentes (em um exercício de paradoxo que somente as crianças, cheias de certezas, poderiam orquestrar). Só que ele não permitirá que ela seja "surpreendente" demais. Teria que ser uma mulher direita, afinal, ficariam juntos para sempre.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;            Por meia-hora, Samuel desenvolveu toda sua teoria lógica a respeito do gostar e de como seria sua vida com essa garota que, agora se dava conta, sequer sabia o nome. Por meia-hora ficou ausente desse mundo, o que certamente explica sua apatia com a grande movimentação do outro lado da rua. Há 14 anos a cidade não era como hoje, certamente. Coisas que, hoje, são encaradas com certa apatia ou comoção breve, naquele tempo eram motivo de revolta popular. Portanto, houve muito tumulto quando dois homens em uma moto passaram atirando em alguns policiais que estavam em um bar. Talvez estivessem apenas descansando. Talvez estivessem extorquindo o dono do bar. Seja lá o que for, não importa a razão pela qual estavam lá. Nesse momento razão alguma importava. Uma bala na cabeça é sempre uma bala na cabeça, seja lá qual for o motivo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;          Samuel não viu quando os homens passaram perto do Bar nem quando sacaram suas armas. Não viu quando os policiais revidaram os disparos atingindo outras duas pessoas além dele. Não viu pois estava aéreo, ensaiando sua vida com sua nova namorada. Samuel não viu o descaso com que seu corpo fora tratado, estirado no chão com um ferimento em sua cabeça, nem os incontáveis minutos até que alguém lhe prestasse socorro. Talvez 1993 não fosse tão diferente de 2007 afinal.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;            Mas havia algo diferente. Os seus pensamentos, agora focados, deixaram a tal menina de lado e voltaram-se para sua situação. Não estava mais nas ruas de Redenção, sua cidade. Não estava em qualquer lugar que conhecesse. Estava tudo escuro. Por alguma razão, Samuel acha que deveria estar com frio também, pois não estava vestido e não havia luz alguma para aquecê-lo. Apesar disso tudo, podia ver seu corpo. Havia também um grande espelho, com moldura de prata, decorado. De alguma forma  estranha, apesar de não haver luz, podia ver-se no espelho.  Embora ainda relutasse a se reconhecer. Sua fisionomia era atrevida e debochada. Os olhos agudos e firmes, como os de quem sabe algum segredo que vale o beijo da moça mais bonita. Samuel estava submerso em um mar de escuridão, sem pisos, paredes, luz, roupas. Nada. Estava sozinho consigo mesmo, ou com uma versão estranha de si e isso era absolutamente desconfortável. Quem gosta de fitar o demônio que se reflete quando nos olhamos em um espelho escuro, afinal?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8663200464662050629-6834778304973832955?l=cidadedeespelhos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/feeds/6834778304973832955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8663200464662050629&amp;postID=6834778304973832955&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6834778304973832955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8663200464662050629/posts/default/6834778304973832955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cidadedeespelhos.blogspot.com/2007/09/1993.html' title='1993'/><author><name>Vitor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11490151446503811795</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-pjWN_ESxt3w/TbAsKYlY20I/AAAAAAAAADk/XQombWuPiVU/s220/EscherEye.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
